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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Panikkar, pensador único e irrepetible

27.08.10 | 17:04. Archivado en Teólogos

Fue, sin duda, uno de los pensadores más lúcidos de nuetros tiempo. Raimon Panikkar marcó una forma de hacer teología y de ser teólogo. Tuve la suerte de coincidir con él y de entrevistarle en varias ocasiones y siempre salía del encuentro con una esperanza rediviva y redimensionada. Era como un santón hindú pero en teólogo católico. Un enamorado del diálogo interreligioso y un hombre con un recorrido vital excepcional. Supo transitar desde la sensibilidad más conservadora del Opus Dei hacia otras más ecuménicas y fronterizas. Sin grandes alharacas. Sin hacer demasiado ruido. Deslizándose suavamente, con su eterna sonrisa y su gafas a lo Ghandi.

La última vez que le vi fue en Montserrat en un encuentro interreligioso internacional. Parecía tan monje como los monjes sin ser monje. Y era el centro del simposio. Todo el mundo estaba pendiente de lo que él decía. Era una auténtica autoridad. Y una persona auténtica. Con una obra centrada en el diálogo interreligioso e intercultural, avalado por más de 50 libros.

Solía decir: "La religión no es un experimento, sino una experiencia de vida, a través de la cual se forma parte de la aventura cósmica". O "la gran epidemia moderna es la banalidad".

Durante 30 años tuvo un contacto intenso con la India, que visitó por primera vez en 1954. «Me marché cristiano, me descubrí hindú y regreso budista, sin haber dejado de ser cristiano», solía repetir, para explicar su ser creyente.

«¿Dónde encuentra Vd. su identidad?», le preguntaron en una ocasión. Y el respondió: "Perdiéndola, no buscándola: no queriéndome aferrar a una identidad que aún no está realizada y que no se puede encontrar desde luego en el pasado, porque entonces sería una copia de algo viejo. La vida es riesgo; la aventura es novedad radical; la creación se produce todos los días, algo absolutamente nuevo e imprevisible".

Descanse en paz este gran pensador y gran persona que ha abierto el camino del diálogo interreligioso "dialogal" y auténtico.

José Manuel Vidal


Fonte: http://blogs.periodistadigital.com/religion.php/2010/08/27/panikkar-pensador-unico-e-irrepetible

Raimon Panikkar, um ícone da unidade


(Foto: http://picsdigger.com/image/09d41830/)

Morreu Raimon Pannikar. Com 91 anos, o filósofo e teólogo do diálogo inter-religioso morreu na sua casa de Tavertet, na Catalunha, na passada quinta-feira à tarde. O funeral foi este sábado, mas a cerimônia pública de homenagem será uma missa de homenagem na próxima sexta-feira, dia 3 de Setembro, às 17h, na Abadia de Montserrat.
Filho de mãe catalã e pai hindu, Panikkar era ele próprio um ícone da unidade que ele tanto pugnava nas suas obras - nomeadamente, aquelas em que falava do diálogo inter-religioso. As suas cinzas ficarão em Tavertet e no rio Ganges, na Índia.

José Manuel Vidal escreveu no ReligionDigital um pequeno obituário e vários outros textos e vídeos. O site oficial de Raimon Panikkar tem também diversos textos e artigos.
Em 2004, no Parlamento das Religiões do Mundo que decorreu em Barcelona, tive o gosto de o entrevistar para o Público. Aqui ficam excertos dessa entrevista.

O diálogo inter-religioso é imparável

O diálogo inter-religioso tem altos e baixos, mas já ninguém o pode parar. Essa é a convicção do co-presidente do Parlamento das Religiões do Mundo, que hoje termina em Barcelona. Raimon Panikkar é, ele mesmo, um símbolo vivo desse processo, pois é filho de um hindu e de uma catalã.
Veste-se à maneira indiana e calça sandálias. Padre católico, Raimon Panikkar vive, sem televisão, numa aldeia da Catalunha, com 60 habitantes, onde recebe, uma vez por semana, quem com ele quer falar. Publicou dezenas de livros (alguns traduzidos em português, pela Editorial Notícias, como “A Trindade”), é reconhecido e apreciado por muita gente da rua. Voz e rosto sereno, olhos tranquilos, é um dos principais teólogos e filófosos europeus contemporâneos.

P. — Um dos argumentos mais ouvidos é que as religiões têm um papel social e político a desempenhar. Isso significa que a dimensão religiosa está esgotada?
R. — Não, significa que as religiões descobrem que devem incarnar-se neste mundo e não devem preocupar-se exclusivamente com o céu e o outro mundo — sobretudo no caso do cristianismo, que é inclusivo. Não podemos passar por cima das injustiças institucionais e de tantos problemas concretos, mesmo se as religiões não são para solucionar todas as coisas. As religiões criam opinião, promovem consciência e abrem caminhos mais pacíficos.

P. — O diálogo inter-religioso começou há três décadas e hoje atingiu já uma dimensão fundamental para o mundo. Como analisa esta evolução?
R. — Contesto a sua pergunta. o diálogo inter-religioso começou no século I, do ponto de vista do cristianismo, quando os primeiros cristãos, que eram judeo-cristãos, falaram com os gregos e helenizaram o cristianismo. Depois, este cristianismo helenizado dialogou com o mundo germânico. Mais tarde, fossilizou-se um pouco com o colonialismo, onde se pensava que não se devia entrar em diálogo com o outro.

P. — Mas esta forma de diálogo actual é diferente. Acha que vai no bom caminho?
R. — O processo é imparável, não há quem o páre, e vai na direcção certa. [No caso do catolicismo] o Concílio Vaticano II [1962-65] abriu as portas [da Igreja Católica] e tirou a muitos católicos os problemas de consciência que sobre eles pesava acerca do exclusivismo da salvação. Agora, por razões políticas, às vezes trava-se. vai-se com prudência, fecham-se janelas. Falar para mil milhões de pessoas tem que ser com modos diferentes, por isso por vezes parece que se vai mais lentamente. Há grupos que querem mais abertura, outros têm medo de perder identidade e preferem defender-se.

P. — Afirmou neste parlamento que as religiões servem de desculpa para guerras políticas e económicas. Como se combate essa violência de marca religiosa?
R. — Em primeiro lugar, não combatendo, porque o combate seria já violento. Em segundo, tirando o medo, porque muitos fecham-se no seu grupo por terem medo de perder a identidade. Perdemos a dimensão mística das religiões e identificam-se religião com crença: se eu digo uma coisa e o outro diz diferente, eu tentarei eliminar quem diz diferente.

P. — O senhor é um símbolo vivo do diálogo inter-religioso. É possível fazer uma síntese entre credos diferentes?
R. — Não se trata de uma síntese, mas de fecundação mútua. Nem é tão pouco um ecletismo, mas um enriquecimento, que será consequência de um maior conhecimento, do amor e do encontro com a diferença. Dou-lhe um exemplo: os católicos têm necessidade do budismo para recordar a dimensão da contemplação e do silêncio. O encontro serve para enriquecer e contactar com o que cada um esqueceu da sua tradição.

P. — O que têm os católicos a aprender do hinduísmo?
R. — Deixe-me criticar a pergunta: o que necessitamos é, mutuamente, uns dos outros. Não posso só enriquecer-me com os outros, mas partilhar também o que sou. Pode aprender-se a contemplação, a paciência. Mas posso dizer-lhe que, do hinduísmo, os cristãos podem aprender a tolerância, a superar a razão, a não reduzir as coisas apenas a uma dimensão.

EM COMPLEMENTO:
(mp)