Sábado, 1 de Novembro de 2008

Dia da Reforma: um marco na história das religiões


Sexta-feira, 31 de outubro de 2008 (ALC) - O Instituto Humanistas (IHU), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), lembrou a fixação das 95 teses de Martinho Lutero na igreja do castelo de Wittenberg, e historiou a trajetória do monge agostiniano até chegar à Reforma. A Unisinos é uma instituição da Companhia de Jesus, localizada em São Leopoldo, e tem 26 mil alunos matriculados nos seus cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão. Abaixo, o texto do IHU na íntegra. 

Dentro de dez anos, o ato de contestação de um jovem monge alemão que marcou a história mundial irá completar 500 anos. É por isso que hoje, 31 de outubro, dia em que Martinho Lutero (1483-1546) pregou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, possui um caráter especial, marcando o período que está sendo chamado de Década de Lutero.Com o lema “Lutero 2017 – 500 anos de Reforma”, a proposta é confrontar as teses do reformador com perguntas da atualidade.

Martinho Lutero, nascido em 10 de novembro de 1483, em Eislebn, iniciou sua formação aos 18 anos, na Universidade de Erfurt. Aos 21 anos, tornou-se doutor em filosofia. Em 1505, completou o curso de artes. Com 22 anos, entrou para o mosteiro dos Eremitas Agostinianos. Em setembro de 1508, aos 24 anos de idade, mudou-se para Wittenberg, onde pretendia continuar seus estudos.

Nove anos mais tarde, em 1517, conta a história que ele pregaria na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses desesafiando os ensinamentos da Igreja sobre a penitência, a autoridade do papa e a utilidade das indulgências e com um convite aberto ao debate sobre elas, o que marcaria o início da Reforma Protestante.

Afirmava Lutero, na abertura de suas teses: “Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.”

A partir da publicação-protesto do “Debate para o esclarecimento do valor das indulgências”, o texto foi traduzido do latim para o alemão, o holandês e o espanhol em menos de um mês, iniciando-se aí um forte processo de divulgação e estudo das Teses. Em 1518, Lutero foi considerado herege pela Igreja Católica e, em 1521, a bula papal de Leão X "Decet Romanum Pontificem" determinava a excomunhão do monge.

Lutero foi então exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período, trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, publicando o Novo Testamento em setembro de 1522.

Assim, começaram a ocorrer renúncias ao voto de castidade e do celibato, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos, além da eliminação das imagens nas igrejas. O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense Catarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma.

Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma. Nela, em vez de Lutero desmentir as suas teses, como lhe era pedido, defendeu-as e pediu a reforma, o que ficou registrado na história pela suas palavras: "Hier stehe ich. Ich kann nicht anders" (Aqui estou. Não posso diferente).

Para responder a esse processo, a Igreja Católica realizou o Concílio de Trento (1545-1563), que resultou no inicio da Contra-Reforma ou Reforma Católica. A Inquisição e a censura exercidas pela Igreja foram a resposta para evitar que as idéias reformadoras encontrassem divulgação em outros países.

Foi nesse período que ocorreu o Massacre da Noite de São Bartolomeu, na França, em 24 de agosto de 1572, tendo se estendido por vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70 mil e 100 mil protestantes franceses, os chamados huguenotes.

A Reforma, ao longo do tempo, foi se firmando em quatro pilares principais: somente a Escritura (sola scriptura), somente a graça de Deus (sola gratia), somente Jesus Cristo (solus Christus) e somente a fé (sola fide). Com isso, afirmava-se que a Escritura revela a verdade da salvação eterna através de Jesus Cristo, e nenhum outro livro ou mensagem pode tornar-nos capazes para a salvação. Daí vem o propósito de Lutero de traduzir essa verdade para a língua do seu povo.

A Reforma também defendeu que, em seu grande amor e misericórdia, Deus tomou a iniciativa de salvar o homem. Porém, como foi concebido em pecado, o homem não tem forças para se salvar. Por isso, Jesus Cristo, por causa do sacrifício feito na cruz e por causa da sua ressurreição, é o Único que pode salvar o ser humano dos inimigos que o aprisionam. Assim, a Reforma está baseada na Escritura como regra ou norma única de fé e vida, e sobre a fé somente em Jesus como Salvador da humanidade.

A primeira tentativa de estabelecer uma igreja protestante no Brasil foi em 1555, que pretendia dar refúgio aos calvinistas franceses, perseguidos pela Inquisição européia. A segunda tentativa foi em 1630, quando os holandeses tomaram Recife, Olinda e parte do Nordeste, registrando a presença do protestantismo. Após a expulsão dos holandeses, em 1654, o Brasil fechou as portas aos protestantes por mais de 150 anos.

Com a chegada da família real, em 1808, abriu-se uma brecha no monopólio católico, permitindo a presença de outras religiões. Os protestantes estrangeiros, no entanto, não podiam pregar nem construir igreja com torre, mas podiam reunir-se e cultuar a fé, comercializar a Bíblia e até distribuí-la.

O luteranismo foi trazido ao Brasil pelos primeiros imigrantes alemães que desembarcaram em São Leopoldo, no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, em 1824.
 


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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Morre em Brasília Pierre Weil, fundador da Universidade Internacional da Paz






Carolina Pimentel Repórter da Agência Brasil

Brasília - Fundador da Universidade Internacional da Paz (Unipaz), o psicólogo e educador francês Pierre Weil, de 84 anos, morreu na noite de ontem (9) em Brasília. Weil era diabético e tinha problemas pulmonares e de visão. O corpo está sendo velado por parentes e amigos na própria universidade, localizada em uma chácara em Brasília.

Doutor pela Universidade de Paris, o psicólogo pregava a descoberta da paz interior do ser humano, em suas relações sociais e com o meio ambiente, por meio da educação. Chegou ao Brasil há 60 anos. De 1958 a 1969, foi professor de Psicologia Social, Industrial e Transpessoal na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Publicou 40 livros sobre a cultura da paz, psicologia e holística. Um dos mais conhecidos é A Arte de Viver em Paz. Em 2002, recebeu o Prêmio da Unesco de Educação e Paz. O órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura reconheceu que a metodologia adotada por Weil é eficaz.

Em 1987, fundou a Universidade Internacional da Paz (Fundação Cidade da Paz), a pedido do então governador do Distrito Federal, José Aparecido de Oliveira. O objetivo da instituição é disseminar a não-violência e conscientizar o homem a conduzir suas ações com tolerância e fraternidade.

Para a psicóloga e integrante da Unipaz, Lídia Rebouças, Weil era um visionário e seu trabalho é cada vez mais atual diante da violência e das guerras. “O trabalho dele é cada vez mais atual, quando a gente vê como a violência está banalizada. Ele trabalhava a abertura do ser humano em relação a ele próprio, pregava o desapego das coisas”, disse Lídia, que ajudou a criar a instituição.

Na avaliação da pró-reitora ambiental da universidade, Regina Fittipaldi, Weil buscava despertar a solidariedade e fraternidade nas pessoas. “A gente só vê o mundo com essas bolsas de valores explodindo como se a força onipresente, onipotente fosse o dinheiro., quando sabemos que não é. O professor Pierre sabia da dimensão humana, da beleza humana, dessa força que todo ser humano guarda em si. Ele foi um arauto dessa leitura de um ser humano belo, fraterno, solidário e ético.”

A Unipaz desenvolve dois projetos sociais com crianças e adolescentes de 2 a 17 anos de idade em situação social de risco, como vítimas de violência.

Além do Distrito Federal, a universidade tem campi na Bahia, no Ceará, no Paraná, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e no Rio Grande Sul. E em outros países: França, Argentina, Israel, Bélgica e Inglaterra.

Fonte: Agência Brasil

Encontro no Tunísia insiste na importância do Diálogo Inter-Religioso




Túnis, 10 out (RV) - Especialistas e intelectuais de países ocidentais e árabes pediram hoje mais diálogo entre as três religiões monoteístas (catolicismo, islamismo e judaísmo), afirmando que o mesmo enriquece a cultura humana universal.


O apelo está contido na declaração final da conferência realizada em Túnis, capital da Tunísia, sobre coexistência e diálogo entre religiões e culturas, que se concluiu hoje. O encontro, de três dias, foi organizado pela fundação alemã Konrad Adenaueur e pela universidade Zituna, uma das mais antigas da África.

"Cada país tem sua própria cultura, porém é possível enriquecer, consagrar os valores de respeito da cultura humana universal", lê-se na declaração. Contudo, para que o diálogo se realize, é necessário que frutifiquem o intercâmbio de experiências, a difusão do saber entre os povos e a promoção da investigação científica.

Ao encerrar o encontro, o ministro tunisino para Assuntos Religiosos, Bubaker el Akhzuri, destacou a importância de seguir promovendo o diálogo entre culturas e religiões, "para desarraigar a violência, o ódio e a rejeição ao outro". Mais de 200 pessoas subscreveram a declaração final. (BF
)

Fonte: Rádio Vaticano

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Prefeitura reconhece imunidade de terreiro




ALC


Salvador, quarta-feira, 1 de outubro de 2008 (ALC) - A prefeitura de Salvador reconheceu a imunidade tributária do Terreiro da Casa Branca, que corria o risco de ser leiloado se não pagasse o Imposto Territorial Urbano (IPTU) de 800 mil reais (cerca de 445 mil dólares).A ONG Koinonia, o Espaço Cultural Vovó Conceição e o Grupo Hermes de Cultura e Promoção Social iniciaram campanha, em junho, incentivando pessoas a escreverem cartas, pressionando a prefeitura para que suspendesse os processos e garantisse a imunidade tributária do terreiro. Em Salvador, todos os templos religiosos estão isentos do IPTU.

O Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, Ilê Axé Iyá Nassô Oká, é uma das casas de culto mais antigas no país da religião dos Orixás e foi o primeiro templo afro-religioso a ser tombado como patrimônio histórico do Brasil.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Necessidade de tolerância religiosa, pede Santa Sé na ONU



CIDADE DO VATICANO, domingo, 28 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- É urgente promover a tolerância religiosa no mundo. Este é o apelo lançado no Conselho para os Direitos Humanos da ONU, em Genebra, pelo arcebispo Silvano Maria Tomasi, observador permanente da Santa Sé no escritório das Nações Unidas na cidade suíça.

Frente à intensificação de manifestações violentas de intolerância religiosa em diversas regiões geográficas, Dom Tomasi – segundo informou a Rádio Vaticano – advertiu que «a impunidade destes crimes, que se dá freqüentemente, transmite a mensagem de que as agressões violentas ou inclusive a eliminação física de pessoas de outra religião sejam aceitáveis».

Há 60 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos se propunha sustentar o contrário, defendendo «o direito de cada um à liberdade de pensamento, consciência e religião», disse.
O representante vaticano destacou que a Santa Sé expressou preocupação pela discriminação das minorias religiosas, sejam maus tratos sociais, preconceitos políticos ou atos de violência.
Neste sentido, Dom Tomasi pediu que cada Estado assegurasse «uma ação concreta em todos os níveis: legislação nacional, sistema judicial, governo, sistema educativo, meios de comunicação e inclusive nas próprias comunidades de fé». O prelado sublinhou que «leis sobre a blasfêmia podem ser armas a serem usadas contra inimigos pessoais e como desculpa para provocar violência».

Em outra intervenção sua, também em Genebra, na Assembléia dos membros da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, o arcebispo Tomasi sublinhou que a Santa Sé está especialmente atenta às dimensões éticas e sociais que afetam e marcam a pessoa e a suas ações.

O prelado reconheceu a necessidade de tutelar a propriedade intelectual e falou a favor de «um equilíbrio na normativa que leve em consideração os países mais pobres e que possa dar valor a suas peculiaridades e à sua identidade».

Aludindo às questões ainda pendentes em matéria de propriedade intelectual, Dom Tomasi sublinhou que quem atua neste campo tem a responsabilidade de «dar sua contribuição a uma cada vez mais pacífica e eqüitativa comunidade internacional».

Fonte: Agência ZENIT